terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

Loba saiu


Cais e caos: duas margens de uma vida
Uma irritação acorda
pra ver a luz
respira e sente que choveu a tempestade
Prende a loucura no dente
Sai a loba a correr
De perna quebrada
ela ri, de língua de fora
Uiva manca, a loba
Olhos serrados
farejando no escuro do caos
aquilo que ela quer
Ela não sabe o que vai achar,
mas quer muito
Loba faminta que saiu
Manca, ri e uiva pra lua
Sente o tônus da terra
Lá fora, ela vai.

sexta-feira, 15 de novembro de 2019

Não faço poesia
Isso não é poesia
É desabafo no braço
Que traço no papel

Não preciso que leia
Só preciso do silêncio
Preciso do vento

Vendaval de vontades
Cafeína álcool tesão
Sim, por que não?
Uma casa destelhada de saudade


segunda-feira, 28 de outubro de 2019

Só depois de subir o poço e ter muita sujeira debaixo das unhas cansadas é que posso voltar a sonhar com trilhas e céus. A questão é: lavo as mãos para voltar a sujar ou continuo subindo sem pausar? Já vejo o ar fresco, sinto no meu cabelo, mas é que pausando eu tento respirar o ar lá de cima, e me engano. Tento lembrar quem eu sou e falta ar fresco. Vou guardar toda essa sujeira debaixo da unha, pra saber o caminho da subida, caso eu desça.

sexta-feira, 23 de agosto de 2019

Não vai garimpar na minha alma.
Não levará meu ouro.
Na minha alma, meu tesouro.
Debaixo dessa camada tem eu.
Eu de anos atrás.
Eu de hoje.
Eu.