segunda-feira, 13 de julho de 2015

Ô vida esquisita!
Que vai se fazendo
No dente, no dedo
Desenho marrento
De lobos, por fora
Dentro, arrebento

Ô vida esquisita!
Que vai se lendo
Na linha, no ferro
Desenho de vento
Por fora, uiva
Por dentro, berro

Ô vida bela!
Que vai costurando
No mundo, nua
Imagem sua
Lá fora dura
Aqui dentro, lua

quinta-feira, 9 de julho de 2015

Algumas coisas vão parar no museu
A companhia - o gato
A bebida - cerveja
A droga - cannabis
O instrumento - caneta no papel
O medo - solidão

No centro das atenções, a criatividade
Que sem o museu
Não seria
O resgate
O gole
no passado

Já foi relicário
Hoje é museu das loucas novidades.

Gaveta. Essa sim guarda segredos.
Pra falar dela eu precisaria abrir o coração
mas e se meu coração trancou
a chave dentro?
Abriria pra você
abriria todas
Menos aquela pequeninha.
Aquela pequenininha densa,
aquela esquecida,
embranquecida.
Ela não abre
Ela é tão funda,
que dá a volta ao mundo.
Ela tem léguas pra dentro.
Foi aberta um dia
Quem viu disse que assistiu um túnel passar
Essas gavetas são como monstros submarinos
Acordam a cada década
É um caos, paz, e nenhum dos dois.
Mas medo não.
Liberdade.
Da série: Os mais recentes

Costumava-se dar outros nomes
E se eu trocasse
O garfo pelo lápis?
Escreveria belas refeições.
Comeria um texto gourmet.

O cérebro pela buceta?
Gozaria ideias.
E o sexo seria só teoria.

A Terra pelo céu?
Você seria pequeno.
Você seria enorme.
Vou postar aleatoriamente e foda-se.
Outra explicação: eu falo palavrão pra caralho.
O brasileiro gosta de rir de palavrão.
Sim. Um ladrão entrou em casa e levou meu computador.
Lá tinham textos pra você, pra ela e pra mim.
Tinha aquele ótimo do elevador.
Tinha aquele do frio.
Tinha sobre a crise dos 29.
Tinha sobre as cicatrizes do mamão e sobre o sufocamento da banana - estes eram tão bons que vou achar em algum lugar, perdidos, um dia.

Mas outros, tão bons quanto - deixo aqui bem claro que eram bons pra mim, e talvez não sejam bons pra você, estamos bem com isso?) – ainda existem.

Porque sou uma pessoa que escreve a lápis. No papel. E o papel não é, hoje, um objeto de desejo de ladrões. Não sei se foi no passado, nem sei se será no futuro. Mas hoje, ficou lá. Se foram outros objetos de desejo, mas o papel mesmo, ficou todinho.
É por isso que inauguro este blog. Não quero mais perder textos.
E porque aqui é a internet, hello internet, que eu me apresento. Pra você saber, pra eu deixar um jogo limpo. E pra eu explicar. Eu gosto de explicar.

E pra você que ainda consegue ler um texto até o final.