sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Olha pras unhas, pro papel, sabe bem tudo o que gostaria de escrever, só que queria esquecer antes de por no papel. Isso de trazer da mente para os dedos dói. Quem deveria doer era o papel, mas ele não está sendo espancado agora. Quem está sendo espancada é a mente. Do tipo que deixa marcas debaixo da roupa, você não vai ver se ela for comprar pão.
Minha amiga secreta prefere papel e caneta, com certeza. Que doa no papel, que sofra o papel, e que o diabo o carregue.


segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Tem uma hora do dia que eu gostaria de estar numa salinha confortável, com muito café quente numa caneca, ouvindo um silêncio inspirador, e espancando o teclado num texto formidável, que juntasse militância, ficção, arquivos mentais de brainstorms e anotações rápidas de boas ideias.
Só que nessa hora eu estou no meio do trabalho, sem café, sem silêncio - no máximo com o fone no ouvido pra ninguém perturbar - e meio milhão de e-mails estourando na caixa de entrada, me lembrando das tarefas que pagam minha casa.
As tarefas que pagam minha casa não saciam minha mente. Saciam minha mente textos vomitados, ideias mirabolantes, ficções e monólogos internos. Escapes no meio da tarde satisfazem às vezes, mas sei que são comida artificial perto desse banquete que meu cérebro gostaria de escrever...

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Queria rede e brisa. Lá longe, passarinhos, lá pra longe, sol nascendo.
Na rede, balançando, alguém sem medo. Com muito amor no peito.
Do lado, a mesma mulher, contando em sorrisos o sabor do café.
Na leitura diária, o mundo avisando que se pode sorrir todos os dias.
Você e todo mundo.

O canto aumenta a luz do sol, ou será o contrário?
A respiração lubrificada enche a mente de respostas.
Perguntas só se for de inspiração filosófica.
Nada é pra agora, muito menos pra ontem.
Nada é menos. Ou seria: Nada é mais?

O dia passa como disco do Milton.
O olhar é calmo, o sol se põe, alaranjando o coração.
Atrás da montanha o crepúsculo se mostra, quem é de dia dorme.
A íris se abre, a mente fica nítida como jazz.
A noite acorda.

Esse sentimento leve é permitido, é natural.
Nesse sonho, vivido acordado, somos naturais. E o alimento, a água, a luz, o sono.
O suor é de verdade. e refresca o que não está parado.
Não estamos paradas, é só a água salgada nos levando.
Somos uma rosa dos ventos.

Queria tudo isso, desde o sol até a lua.
Queria do fundo do meu coração.
A companhia tua nesse mundão.




Se tudo são formas, eu prefiro formato de beijo.
Se o mundo gira, prefiro balançar no meio.
Se criança vira adulto, quero mais é correr!
Não aceite o que te dizem, porque nem eles sabem ver.
Sabem é andar sem olhar, respirar sem encher o peito.
Quero é que meu peito saiba amar.
Se tudo são perguntas, fico com a resposta:
É sonho.

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Esperar que alguém mude
É esperar com medo
A fechadura enguiçada
Te dizendo que sua chave
Ainda não serve
Pra abrir a porta daquela mente
Naquela mente não se entra
Só se olha
Fechada
Negada
Te ignorar
Nessa porta não passam
Sentimentos
Chaves
Importância
Já passou?
Quando a fechadura quebrou?
Tatuagem borrada de amor
Apagou com o temor
Amor não é medo
Medo é menos
Abertura não temos


quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Você é essa?
Aquela?
Ou aquela outra?

Prefiro ser seres
Não preciso decidir
Mas se você vir
A confusão deles...

domingo, 13 de setembro de 2015

Cansei de escrever de amor
O amor não me basta
Entrego a caneta casta
Aperto os dedos
Dessa vez não me solta
O espancamento está de volta

Paredes diferentes
O mesmo branco aparente
Os papéis estão trocados
A atriz de olhos borrados
Tomando seu drink de lágrima
Cor vermelho-sefodeu
A maluca é uma lástima,
Começou e já morreu.

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Ninguém quer ler poemas.
Ninguém nem quer ler.
Quanto mais pagar para ler.
Pagar para ler poemas
Está além da imaginação

Ficamos assim, então.
Nem você me paga.
Nem isso é poema, não.
Eu sou uma ilha
Não que isso seja grande coisa
Sou uma ilhota
ordinariamente como outras
Se tem coqueiro?
Não preciso de coco.
Se tem pardal?
Não preciso de canto.
Se tem nativos?
Vivo sozinha.
Praia?
Venta.
Lagoa?
Pedra.
E a fauna?
Desprovida.
Vegetação?
Deserto.
No mapa?
Extremo qualquer coisa, desconhecida.
Seca, dura, feia, inabitada, pedacinho sequer de algo qualquer.
Mas me deixa ser uma ilha.

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Amargo é mar triste
É rio seco
Doce não tem
Mar que a onda não vem
O mar só pinga
Só lágrima

Amargo é transbordar
A mágoa em mim
É o iceberg me rasgando
E fazendo entrar
O mar gélido e salgando
Meu belo lar

Amargo é não existir
De mim desistir
Aceito a colher
De açúcar libertador
Pr'eu poder navegar
Te convidar pr'eu
Te mostrar

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

ela dança
loucamente
ela dança
sem saber
o final da música
sem saber 
onde acaba a pista
o que importa
é o passo
pular no espaço

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Ô vida esquisita!
Que vai se fazendo
No dente, no dedo
Desenho marrento
De lobos, por fora
Dentro, arrebento

Ô vida esquisita!
Que vai se lendo
Na linha, no ferro
Desenho de vento
Por fora, uiva
Por dentro, berro

Ô vida bela!
Que vai costurando
No mundo, nua
Imagem sua
Lá fora dura
Aqui dentro, lua

quinta-feira, 9 de julho de 2015

Algumas coisas vão parar no museu
A companhia - o gato
A bebida - cerveja
A droga - cannabis
O instrumento - caneta no papel
O medo - solidão

No centro das atenções, a criatividade
Que sem o museu
Não seria
O resgate
O gole
no passado

Já foi relicário
Hoje é museu das loucas novidades.

Gaveta. Essa sim guarda segredos.
Pra falar dela eu precisaria abrir o coração
mas e se meu coração trancou
a chave dentro?
Abriria pra você
abriria todas
Menos aquela pequeninha.
Aquela pequenininha densa,
aquela esquecida,
embranquecida.
Ela não abre
Ela é tão funda,
que dá a volta ao mundo.
Ela tem léguas pra dentro.
Foi aberta um dia
Quem viu disse que assistiu um túnel passar
Essas gavetas são como monstros submarinos
Acordam a cada década
É um caos, paz, e nenhum dos dois.
Mas medo não.
Liberdade.
Da série: Os mais recentes

Costumava-se dar outros nomes
E se eu trocasse
O garfo pelo lápis?
Escreveria belas refeições.
Comeria um texto gourmet.

O cérebro pela buceta?
Gozaria ideias.
E o sexo seria só teoria.

A Terra pelo céu?
Você seria pequeno.
Você seria enorme.
Vou postar aleatoriamente e foda-se.
Outra explicação: eu falo palavrão pra caralho.
O brasileiro gosta de rir de palavrão.
Sim. Um ladrão entrou em casa e levou meu computador.
Lá tinham textos pra você, pra ela e pra mim.
Tinha aquele ótimo do elevador.
Tinha aquele do frio.
Tinha sobre a crise dos 29.
Tinha sobre as cicatrizes do mamão e sobre o sufocamento da banana - estes eram tão bons que vou achar em algum lugar, perdidos, um dia.

Mas outros, tão bons quanto - deixo aqui bem claro que eram bons pra mim, e talvez não sejam bons pra você, estamos bem com isso?) – ainda existem.

Porque sou uma pessoa que escreve a lápis. No papel. E o papel não é, hoje, um objeto de desejo de ladrões. Não sei se foi no passado, nem sei se será no futuro. Mas hoje, ficou lá. Se foram outros objetos de desejo, mas o papel mesmo, ficou todinho.
É por isso que inauguro este blog. Não quero mais perder textos.
E porque aqui é a internet, hello internet, que eu me apresento. Pra você saber, pra eu deixar um jogo limpo. E pra eu explicar. Eu gosto de explicar.

E pra você que ainda consegue ler um texto até o final.