quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Há mar, go!
Amar. Go!
Amar, go...
Ama rgo
Amargo
E ninguém é eu, e ninguém é você. Esta é a solidão. 
Clarice Lispector, 1973.


Me faz falta a janela do ônibus. As várias janelas nas quais eu sonhei, refleti, chorei, ri. Janelas úteis, que me tiraram do aqui-agora e me deram tempo pra pirar e meditar.
Quantos livros eu li nesses minutos de trajeto, quantos olhares eu analisei, quantas neuroses criadas e curadas na ansiedade de ir e chegar.
Não era o ônibus, mas a janela. Aquela vista no momento de ser levada, sem precisar conversar, sem precisar teclar.
Aquele momento do nada planejado, um nada propício ao acaso. 
Que fossem 15 minutos de piração na calçada, nos fios de alta tensão. Árvore, pessoa, carro, velocidade, chuva, banca de jornal. Eram 15 minutos de ócio mental, em que eu pensava tudo e pensava nada ao mesmo tempo.

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Eu preciso dizer que daria tudo que eu tenho pra ser sua pra sempre.
Sua.
Pra sempre.
Não tem métrica, nem rima.
Sou sua, com tudo o que vier.
Sua, porque não tenho escolha.
Te cheiro, te vejo, te sinto meu.
Os sentidos são capazes de explicar... eu não.
Nós e nossa pequena história, com futuro imenso...
Como eu amo você.

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

quinta-feira, 28 de julho de 2016

O que somos senão o resultado de nossos erros colossais somadas as consequências? Eu não compreendo as pessoas, porque não compreendo a mim mesma. Não sei acertar com precisão se estou bem ou se estou mal. O que me faz mal pode ser o que me deixa bem. E se não sei o que me deixa bem, não sei viver, se viver é estar bem. A vida deve ser algo além de estar bem. Porque se vive na dor também. E não sei levar não estando na dor. A dor soma, a dor salva. A dor me leva. E levanta.
Produzo caos, no caos racho e descubro os padrões pra fugir deles, assim subtraio e essa equação é linda, vívida.
Mas se fujo dos padrões, descubro o meu padrão, um ciclo de euforia e solidão. Se é discernimento, duvido. Dou de cara no discernimento, rio dele! Mas não compreendo se essa equação leva a algum lugar, estou presa nela, sem vê la, sem reflexo, sem grandes ângulos. Como aquele quadrado perfeito que lhe parece perfeito até algum resultado dizer que não era quadrado, era quase isso, mas parecia perfeito antes do reparo. Mais um gole e volta a ser perfeito.
A perfeição da queda, da energia contra, do ninar da força gravitacional. Reparo na beleza de um erro colossal vindo ao meu encontro, no uníssono da mente. Um ruído que acorda meus sentidos. Antes o ruído que acorda do que o silêncio que apaga. Antes o caos! Irresistível ruído.

terça-feira, 26 de julho de 2016

Meu foco muda a todo instante, 
porque não sei se estou focado nele 
ou no próximo instante. 
E não me conclui. 
Sou fábrica de instantes. 
Uns saem bem feitos, 
outros lhes faltam conteúdo, 
outros, embrulho. 
E pra alguém que se importa com laço
Embrulho, sim.