segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Queria rede e brisa. Lá longe, passarinhos, lá pra longe, sol nascendo.
Na rede, balançando, alguém sem medo. Com muito amor no peito.
Do lado, a mesma mulher, contando em sorrisos o sabor do café.
Na leitura diária, o mundo avisando que se pode sorrir todos os dias.
Você e todo mundo.

O canto aumenta a luz do sol, ou será o contrário?
A respiração lubrificada enche a mente de respostas.
Perguntas só se for de inspiração filosófica.
Nada é pra agora, muito menos pra ontem.
Nada é menos. Ou seria: Nada é mais?

O dia passa como disco do Milton.
O olhar é calmo, o sol se põe, alaranjando o coração.
Atrás da montanha o crepúsculo se mostra, quem é de dia dorme.
A íris se abre, a mente fica nítida como jazz.
A noite acorda.

Esse sentimento leve é permitido, é natural.
Nesse sonho, vivido acordado, somos naturais. E o alimento, a água, a luz, o sono.
O suor é de verdade. e refresca o que não está parado.
Não estamos paradas, é só a água salgada nos levando.
Somos uma rosa dos ventos.

Queria tudo isso, desde o sol até a lua.
Queria do fundo do meu coração.
A companhia tua nesse mundão.




Se tudo são formas, eu prefiro formato de beijo.
Se o mundo gira, prefiro balançar no meio.
Se criança vira adulto, quero mais é correr!
Não aceite o que te dizem, porque nem eles sabem ver.
Sabem é andar sem olhar, respirar sem encher o peito.
Quero é que meu peito saiba amar.
Se tudo são perguntas, fico com a resposta:
É sonho.

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Esperar que alguém mude
É esperar com medo
A fechadura enguiçada
Te dizendo que sua chave
Ainda não serve
Pra abrir a porta daquela mente
Naquela mente não se entra
Só se olha
Fechada
Negada
Te ignorar
Nessa porta não passam
Sentimentos
Chaves
Importância
Já passou?
Quando a fechadura quebrou?
Tatuagem borrada de amor
Apagou com o temor
Amor não é medo
Medo é menos
Abertura não temos


quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Você é essa?
Aquela?
Ou aquela outra?

Prefiro ser seres
Não preciso decidir
Mas se você vir
A confusão deles...

domingo, 13 de setembro de 2015

Cansei de escrever de amor
O amor não me basta
Entrego a caneta casta
Aperto os dedos
Dessa vez não me solta
O espancamento está de volta

Paredes diferentes
O mesmo branco aparente
Os papéis estão trocados
A atriz de olhos borrados
Tomando seu drink de lágrima
Cor vermelho-sefodeu
A maluca é uma lástima,
Começou e já morreu.

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Ninguém quer ler poemas.
Ninguém nem quer ler.
Quanto mais pagar para ler.
Pagar para ler poemas
Está além da imaginação

Ficamos assim, então.
Nem você me paga.
Nem isso é poema, não.
Eu sou uma ilha
Não que isso seja grande coisa
Sou uma ilhota
ordinariamente como outras
Se tem coqueiro?
Não preciso de coco.
Se tem pardal?
Não preciso de canto.
Se tem nativos?
Vivo sozinha.
Praia?
Venta.
Lagoa?
Pedra.
E a fauna?
Desprovida.
Vegetação?
Deserto.
No mapa?
Extremo qualquer coisa, desconhecida.
Seca, dura, feia, inabitada, pedacinho sequer de algo qualquer.
Mas me deixa ser uma ilha.