quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Você é essa?
Aquela?
Ou aquela outra?

Prefiro ser seres
Não preciso decidir
Mas se você vir
A confusão deles...

domingo, 13 de setembro de 2015

Cansei de escrever de amor
O amor não me basta
Entrego a caneta casta
Aperto os dedos
Dessa vez não me solta
O espancamento está de volta

Paredes diferentes
O mesmo branco aparente
Os papéis estão trocados
A atriz de olhos borrados
Tomando seu drink de lágrima
Cor vermelho-sefodeu
A maluca é uma lástima,
Começou e já morreu.

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Ninguém quer ler poemas.
Ninguém nem quer ler.
Quanto mais pagar para ler.
Pagar para ler poemas
Está além da imaginação

Ficamos assim, então.
Nem você me paga.
Nem isso é poema, não.
Eu sou uma ilha
Não que isso seja grande coisa
Sou uma ilhota
ordinariamente como outras
Se tem coqueiro?
Não preciso de coco.
Se tem pardal?
Não preciso de canto.
Se tem nativos?
Vivo sozinha.
Praia?
Venta.
Lagoa?
Pedra.
E a fauna?
Desprovida.
Vegetação?
Deserto.
No mapa?
Extremo qualquer coisa, desconhecida.
Seca, dura, feia, inabitada, pedacinho sequer de algo qualquer.
Mas me deixa ser uma ilha.

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Amargo é mar triste
É rio seco
Doce não tem
Mar que a onda não vem
O mar só pinga
Só lágrima

Amargo é transbordar
A mágoa em mim
É o iceberg me rasgando
E fazendo entrar
O mar gélido e salgando
Meu belo lar

Amargo é não existir
De mim desistir
Aceito a colher
De açúcar libertador
Pr'eu poder navegar
Te convidar pr'eu
Te mostrar

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

ela dança
loucamente
ela dança
sem saber
o final da música
sem saber 
onde acaba a pista
o que importa
é o passo
pular no espaço

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Ô vida esquisita!
Que vai se fazendo
No dente, no dedo
Desenho marrento
De lobos, por fora
Dentro, arrebento

Ô vida esquisita!
Que vai se lendo
Na linha, no ferro
Desenho de vento
Por fora, uiva
Por dentro, berro

Ô vida bela!
Que vai costurando
No mundo, nua
Imagem sua
Lá fora dura
Aqui dentro, lua