quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Ninguém quer ler poemas.
Ninguém nem quer ler.
Quanto mais pagar para ler.
Pagar para ler poemas
Está além da imaginação

Ficamos assim, então.
Nem você me paga.
Nem isso é poema, não.
Eu sou uma ilha
Não que isso seja grande coisa
Sou uma ilhota
ordinariamente como outras
Se tem coqueiro?
Não preciso de coco.
Se tem pardal?
Não preciso de canto.
Se tem nativos?
Vivo sozinha.
Praia?
Venta.
Lagoa?
Pedra.
E a fauna?
Desprovida.
Vegetação?
Deserto.
No mapa?
Extremo qualquer coisa, desconhecida.
Seca, dura, feia, inabitada, pedacinho sequer de algo qualquer.
Mas me deixa ser uma ilha.

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Amargo é mar triste
É rio seco
Doce não tem
Mar que a onda não vem
O mar só pinga
Só lágrima

Amargo é transbordar
A mágoa em mim
É o iceberg me rasgando
E fazendo entrar
O mar gélido e salgando
Meu belo lar

Amargo é não existir
De mim desistir
Aceito a colher
De açúcar libertador
Pr'eu poder navegar
Te convidar pr'eu
Te mostrar

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

ela dança
loucamente
ela dança
sem saber
o final da música
sem saber 
onde acaba a pista
o que importa
é o passo
pular no espaço

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Ô vida esquisita!
Que vai se fazendo
No dente, no dedo
Desenho marrento
De lobos, por fora
Dentro, arrebento

Ô vida esquisita!
Que vai se lendo
Na linha, no ferro
Desenho de vento
Por fora, uiva
Por dentro, berro

Ô vida bela!
Que vai costurando
No mundo, nua
Imagem sua
Lá fora dura
Aqui dentro, lua

quinta-feira, 9 de julho de 2015

Algumas coisas vão parar no museu
A companhia - o gato
A bebida - cerveja
A droga - cannabis
O instrumento - caneta no papel
O medo - solidão

No centro das atenções, a criatividade
Que sem o museu
Não seria
O resgate
O gole
no passado

Já foi relicário
Hoje é museu das loucas novidades.

Gaveta. Essa sim guarda segredos.
Pra falar dela eu precisaria abrir o coração
mas e se meu coração trancou
a chave dentro?
Abriria pra você
abriria todas
Menos aquela pequeninha.
Aquela pequenininha densa,
aquela esquecida,
embranquecida.
Ela não abre
Ela é tão funda,
que dá a volta ao mundo.
Ela tem léguas pra dentro.
Foi aberta um dia
Quem viu disse que assistiu um túnel passar
Essas gavetas são como monstros submarinos
Acordam a cada década
É um caos, paz, e nenhum dos dois.
Mas medo não.
Liberdade.