quinta-feira, 21 de julho de 2016

Estou
arregaçada emocionalmente
queria estar
arregaçada fisicamente
Quebrar a cara
É a segunda coisa mais deliciosa da vida
A primeira é, sem uma pancada de dúvida,
A possibilidade de não quebrar a cara.

terça-feira, 19 de julho de 2016

Tentar não permanecer errada
Mesmo que laçada seja gostoso
Mesmo que errado esteja
Mesma vida, mesmo velho jogo

Linha tênue entre o controle
E a loucura, cerca viva de espinhos
Sem postura, sem caminho
E mesmo que o errado colabore

Errada sem cinismo
Laçada
Debruçada
Desabraçada
Firme no mesmo abismo

quinta-feira, 7 de julho de 2016

Mini tornado
dói o útero
arranca a alma
me tranca lá fora
arrebenta me

Vulcão cíclico
eu me rendo
lava libido
voraz fenda
abocanha me

Tsunami alfa
chupa e me suga
suor e chuva
pinga sabor uva
violenta me

Me deixo
puxada na máquina
costurada entre
língua agulha fura
costura me
Preciso ser eu
lembrar do eu esquecido
recolho minha metade no passado
pra que ela cole na outra metade em mim presente
e me faça inteira novamente
preciso ser eu
mesmo que seja só Eu.

quinta-feira, 2 de junho de 2016

Pescaria

A melancolia nos faz ver cores,
estar cores,
uma paleta errante.
Há quem diga que o azul é melancólico,
mas será que o vermelho é melancólico?
Um pouco de vermelho numa paisagem azul.

Vermelho enquanto sangue,
vermelho-órgão,
o vermelho que é rosa,
o vermelho enquanto faca cravada que gira.
O vermelho-azulejo não é melancólico.
O vermelho-maçã, mesmo que envenenado, não é melancólico.
O vermelho maçã do seu rosto não é melancólico
O vermelho-rosa da geleia de maçã não é vermelho.
Mas o vermelho que o Sol foi, virou laranja, amarelo, e se pôs.

Melancólica é essa memória,
melancólico é quando o sol desce e os bichos abrem os olhos,
que dilatam pra enxergar a cor fria do céu.
Melancólica é a lua que teima em aparecer de dia:
disputa o céu com o sol, ela, feminina.
- sabe a lua da sua melancolia?

Melancólico é jogar uma vara pra pescar o futuro,
e a corda fisgar a saudade...
- saudade, volta por mar, se não morre sem ar





sexta-feira, 1 de abril de 2016

Nem luxo, nem lixo (prefácio para o ano de 2006)

Ano doido, ano maluco.
Fiquei bêbada
Me apaixonei
Fui correspondida
Depois não
Chorei
Bebi
Bebi
Chorei
chorei
Gritei
Dancei
Falei bobeira
Falei até coisas interessantes
Enlouqueci
Morri de medo
O planeta me puxou pra dentro
Pegou meu óculos! Mas...
Me devolveu
Sofri
Sofri
Cantei
Cantei
E fiz sexo, bastante.
Me recuperei...
Quer dizer, ainda não.
. . . . . . r
. . . . . or
. . . . .ior
. . . .rior
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