sexta-feira, 1 de abril de 2016

E quando na moto, enquanto eu abraço aquele abraço solto, vou inventando coisas na cabeça, quando está um sol baixinho, é uma coisa, quando está lá aquela lua estalada, é outra coisa.
Inventei na mente que as luzes da cidade são pessoas, e a velocidade que elas somem é como quando as pessoas passam na nossa vida. E elas passam rápido demais. Mas as luzes lá do fundo passam mais devagar. Porque elas estão profundamente na cena.
Invento coisas assim, sem sentido, enquanto arrumo meu cabelo e volto minha mão no seu bolso. Se lembrasse de todas as coisas, escreveria. Se tomasse nota da mente, saberia. Mas não tomo, deixo fluir, como fluem as luzes da cidade, perto, e lá no fundo.

segunda-feira, 14 de março de 2016

O que é essa coisa que bate e vira poesia?
Que entra e quer sair bonito?
Que pergunta e a resposta é música
Um verso que lembra montanha
E chuva, e sono, e beijo, e solidão?

Um pedaço de momento poético
Seja em Minas, em casa ou aqui dentro
Um papel em branco que me leva pro alto
Da árvore úmida e fresca
De orvalho, ou da tarde que cai.

O sol quando se põe
O Milton quando rima
Café quando está quente
O céu quando laranja
Eu quando sou

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Olha pras unhas, pro papel, sabe bem tudo o que gostaria de escrever, só que queria esquecer antes de por no papel. Isso de trazer da mente para os dedos dói. Quem deveria doer era o papel, mas ele não está sendo espancado agora. Quem está sendo espancada é a mente. Do tipo que deixa marcas debaixo da roupa, você não vai ver se ela for comprar pão.
Minha amiga secreta prefere papel e caneta, com certeza. Que doa no papel, que sofra o papel, e que o diabo o carregue.


segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Tem uma hora do dia que eu gostaria de estar numa salinha confortável, com muito café quente numa caneca, ouvindo um silêncio inspirador, e espancando o teclado num texto formidável, que juntasse militância, ficção, arquivos mentais de brainstorms e anotações rápidas de boas ideias.
Só que nessa hora eu estou no meio do trabalho, sem café, sem silêncio - no máximo com o fone no ouvido pra ninguém perturbar - e meio milhão de e-mails estourando na caixa de entrada, me lembrando das tarefas que pagam minha casa.
As tarefas que pagam minha casa não saciam minha mente. Saciam minha mente textos vomitados, ideias mirabolantes, ficções e monólogos internos. Escapes no meio da tarde satisfazem às vezes, mas sei que são comida artificial perto desse banquete que meu cérebro gostaria de escrever...

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Queria rede e brisa. Lá longe, passarinhos, lá pra longe, sol nascendo.
Na rede, balançando, alguém sem medo. Com muito amor no peito.
Do lado, a mesma mulher, contando em sorrisos o sabor do café.
Na leitura diária, o mundo avisando que se pode sorrir todos os dias.
Você e todo mundo.

O canto aumenta a luz do sol, ou será o contrário?
A respiração lubrificada enche a mente de respostas.
Perguntas só se for de inspiração filosófica.
Nada é pra agora, muito menos pra ontem.
Nada é menos. Ou seria: Nada é mais?

O dia passa como disco do Milton.
O olhar é calmo, o sol se põe, alaranjando o coração.
Atrás da montanha o crepúsculo se mostra, quem é de dia dorme.
A íris se abre, a mente fica nítida como jazz.
A noite acorda.

Esse sentimento leve é permitido, é natural.
Nesse sonho, vivido acordado, somos naturais. E o alimento, a água, a luz, o sono.
O suor é de verdade. e refresca o que não está parado.
Não estamos paradas, é só a água salgada nos levando.
Somos uma rosa dos ventos.

Queria tudo isso, desde o sol até a lua.
Queria do fundo do meu coração.
A companhia tua nesse mundão.




Se tudo são formas, eu prefiro formato de beijo.
Se o mundo gira, prefiro balançar no meio.
Se criança vira adulto, quero mais é correr!
Não aceite o que te dizem, porque nem eles sabem ver.
Sabem é andar sem olhar, respirar sem encher o peito.
Quero é que meu peito saiba amar.
Se tudo são perguntas, fico com a resposta:
É sonho.

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Esperar que alguém mude
É esperar com medo
A fechadura enguiçada
Te dizendo que sua chave
Ainda não serve
Pra abrir a porta daquela mente
Naquela mente não se entra
Só se olha
Fechada
Negada
Te ignorar
Nessa porta não passam
Sentimentos
Chaves
Importância
Já passou?
Quando a fechadura quebrou?
Tatuagem borrada de amor
Apagou com o temor
Amor não é medo
Medo é menos
Abertura não temos